terça-feira, 17 de janeiro de 2012

defeito e qualidade

Outro dia, estava lendo uma revista na sala de espera de um consultório médico, cujo tema eram as perguntas mais surpreendentes que podem ser feitas numa entrevista de emprego. Pouco antes dos 18 anos, lembro que preenchi muitas fichas de emprego em lugares diversos e participei de algumas seleções. Responder a perguntas estapafúrdias me deixava extremamente incomodada. Certa vez, tive de responder quantas listras tem uma zebra. Até hoje, confesso, não entendi o sentido dessa pergunta. Seria uma forma de medir a minha criatividade? Não sei, o propósito não ficou evidente.

Sinto uma imensa necessidade de entender o sentido das coisas. Não consigo entender como alguém se impõe a sensação do medo para demonstrar coragem, por exemplo. Para ilustrar, vou usar um exemplo particular: não gosto de montanhas-russas em parques de diversões. Eu não acho divertido sentir medo. Quer dizer, não vejo muito sentido nisso.

Não encontrar sentido em algo é extremamente incômodo e essas questões de entrevistas de emprego sempre me deixaram confusa. Aliás, não só a mim. Em uma das últimas que participei, fiquei tão irritada que resolvi entregar a folha em branco. Ao meu lado, uma menina muito jovem chorava por não saber as respostas que eram subjetivas, ou seja, não existe certo e errado.

Senti falta do tempo em que as perguntas eram simples e diretas, tais quais qual é o seu maior defeito e sua maior qualidade, por exemplo. Lembro que muita gente respondia que o principal defeito era o perfeccionismo, porque esse é um defeito que seria visto como uma qualidade pelo entrevistador. Ainda hoje, arrisco dizer, muita gente ainda segue dizendo o mesmo.

Acho perfeccionismo um saco. Querer fazer um bom trabalho é algo positivo, mas ser perfeccionista indica arrogância. E ninguém gosta de gente arrogante. Prefiro dizer que sou caprichosa ou detalhista. Quanto à qualidade, eu diria que as melhores que alguém pode declarar é a perseverança e a resiliência.

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