Para ser cronista, mais do que a habilidade com as palavras, é preciso ter assunto. Não é para qualquer um poder escapar das inevitáveis conversas sobre o tempo (será que vai chover?) ou sobre alguma coisa corriqueira, como a lentidão do elevador que se espera ou o trânsito (sempre ele) das grandes cidades. De vez em quando, essas coisas do dia a dia ganham relevo e rendem boas histórias. Uma cantada em plena Marginal Tiête ou um casal preso num elevador durante horas pode ser um excelente mote para começar a crônica.
Alguns acham que a crônica é um gênero esnobe. E acham, ainda, que não deveria ser, afinal, são algumas linhas que ocupam algumas poucas páginas. Oras, não é sequer um livro, daqueles que enchem a mão e nos fazem olhar a última página para que saibamos quanto ainda falta da página que estamos até o fim.
Eu acho que a crônica é como um recado. Geralmente, ela chega como quem não quer nada. E quando o leitor vê, já chegou no meio e naturalmente quer saber o desfecho. Quando ela consegue dar o recado, venceu. Às vezes, o recado é sutil porque não quer parecer lição de moral. Existe crônica de auto-ajuda? Eu acho que não!
Quando retornei a esse blog queria virar cronista (surpresa!). Mas fiquei sem assunto. Achei tudo tão chato e monótono que a inspiração correu para longe de mim. A situação chegou a tal ponto que esqueci até de atualizar meu perfil na mini-biografia do blog. Por aqui, ganhei mais alguns meses com 27 anos.
Agora, acho que a tal inspiração quer voltar, ficar de bem. Deve ser alguma resolução de ano novo. A ver.
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